sábado, 26 de março de 2022

Weezer

Conheci Weezer qnd devia ter 19 anos, com o album Azul sendo apresentado pelos amigos Luiggi e Aline. Mas o som não me capturou de início, longe disto.

Aos 25 anos, em 2006, o Mafra às vezes era DJ aqui em BH. Nesta época, copiei alguns CDs de música dele, na época que os DJs ainda carregavam aquelas pastas grandes de CD!. Um dos copiados era o album Verde do Weezer. Curti muito, a ponto da banda tornar-se uma das minhas bandas favoritas.

Meu album favorito é Pinkerton (1996). Infelizmente, pela correria da vida, eu diria, não acompanhei muito os albuns após o Make Believe (2005), situação que pretendo mudar.

domingo, 6 de março de 2022

Falecimento do poeta Thiago de Melo

Dia 14/01/2022, na hora do almoço, escutei na rádio @ufmgeducativa sobre o falecimento do poeta Thiago de Mello no auge dos seus 95 anos.

Imediatamente, fui tomado por sentimentos estranhos: com certeza partes dos sentimentos foram de tristeza, o seguinte pensamento veio a cabeça: "tudo já está tão difícil e perdemos um grande poeta...", mas logo veio alguma resignação, afinal ele vivera 95 anos!

Cheguei em casa e antes de retornar ao trabalho, gravei a seguinte homenagem a ele: https://www.instagram.com/p/CYuDR1jIJLY/?utm_source=ig_web_copy_link 

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Lista de Preferências - Bertold Brecht

Alegrias, as desmedidas.
Dores, as não curtidas.

Casos, os inconcebíveis.
Conselhos, os inexequíveis.

Meninas, as veras.
Mulheres, insinceras.

Orgasmos, os múltiplos.
Ódios, os mútuos.

Domicílios, os passageiros.
Adeuses, os bem ligeiros.

Artes, as não rentáveis.
Professores, os enterráveis.

Prazeres, os transparentes.
Projetos, os contingentes.

Inimigos, os delicados.
Amigos, os estouvados.

Cores, o rubro.
Meses, outubro.

Elementos, os fogos.
Divindades, o logos.

Vidas, as espontâneas.
Mortes, as instantâneas.

Trad. Paulo César de Souza

domingo, 27 de junho de 2021

Epitáfio para o Séc XX

1. Aqui jaz um século
onde houve duas ou três guerras
mundiais e milhares
de outras pequenas
e igualmente bestiais.

2. Aqui jaz um século
onde se acreditou
que estar à esquerda
ou à direita
eram questões centrais.

3. Aqui jaz um século
que quase se esvaiu
na nuvem atômica.
Salvaram-no o acaso
e os pacifistas
com sua homeopática
atitude
— nux-vômica.

4. Aqui jaz o século
que um muro dividiu.
Um século de concreto
armado, canceroso,
drogado, empestado,
que enfim sobreviveu
às bactérias que pariu.

5. Aqui jaz um século
que se abismou
com as estrelas
nas telas
e que o suicídio
de supernovas
contemplou.
Um século filmado
que o vento levou.

6.Aqui jaz um século
semiótico e despótico,
que se pensou dialético
e foi patético e aidético.
um século que decretou
a morte de Deus,
a morte da história,
a morte do homem,
em que se pisou na Lua
e se morreu de fome.

7.Aqui jaz um século
que opondo classe a classe
quase se desclassificou.
Século cheio de anátemas
e antenas, sibérias e gestapos
e ideológicas safenas;
século tecnicolor
que tudo transplantou
e o branco, do negro,
a custo aproximou.

8. Aqui jaz um século
que se deitou no divã.
Século narciso & esquizo,
que não pôde computar
seus neologismos.
Século vanguardista,
marxista, guerrilheiro,
terrorista, freudiano,
proustiano, joyciano,
borges-kafkiano.
Século de utopias e hippies
que caberiam num chip.

9. Aqui jaz um século
que se chamou moderno
e olhando presunçoso
o passsado e o futuro
julgou-se eterno;
século que de si
fez tanto alarde
e, no entanto,
— já vai tarde.

(...)

domingo, 27 de dezembro de 2020

Gabriel, 7 anos, minutos após receber o presente de Natal na porta de casa, não deixou de observar que o papel que os embrulhava o seu presente e o do irmão era igual aos que embrulhavam o restante dos presentes, adquiridos por sua mãe, na árvore. 

Mais uns minutos, creio que observaria também que a letra do Papai Noel no nome do embrulho era igual a letra da sua mãe.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU

ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU

Além da terra, além do céu
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastros dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar
o verbo pluriamar,
razão de ser e viver.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

piada

Recebi de um amigo, por whatsapp, e acabei colando aqui

"Estou lendo um livro em alemão que se passa o tempo inteiro num consultório de terapia, onde o terapeuta adora metáforas e histórias pra explicar seus pontos. Um livrinho bobo mas interesses eu treinar alemão.

Acabei de ler um trecho o de o terapeuta brinca com o paciente e faz uma piada tentando explicar as três grandes linhas terapêuticas existentes hoje

Um homem está com um problema físico sério. Sem saber porque, ele se caga nas calças todos os dias.

Ele vai ao médico e o médico não acha nada de errado com o seu sistema digestivo e diz que talvez seja um problema psicológico, e que o homem deveria ver um terapeuta.

PRIMEIRO FINAL: o homem vai a um psicanalista. 5 anos depois ele encontra um amigo.
- Como vai a terapia? O amigo pergunta.
- Ótima!
- Conseguiu parar de se cagar nas calças?
- Claro que não, mas agora pelo menos eu sei porque eu me cago!

SEGUNDO FINAL: o homem vai um terapeuta cognitivo. 5 dias depois ele encontra um amigo.
- Como vai a terapia?
- Maravilhosa!
- Conseguiu parar de se cagar nas calças?
- Claro que não, mas agora eu uso fraldas!

TERCEIRO FINAL: o homem vai um terapeuta Gestalt. 5 meses depois ele encontra um amigo.
- Como vai a terapia?
- Fantástica!
- Conseguiu parar de se cagar nas calças?
- Claro que não, mas agora eu simplesmente não estou nem aí mais."

terça-feira, 14 de julho de 2020

O poeta propõe seu epitáfio

O poeta propõe seu epitáfio

Por haver mentido muito ganhou um céu
mesquinho, a ser refeito todos os dias.
Por ser traidor até à traição, o amavam
as pessoas honradas.
Exigia virtudes que não dava
e sorria para que esquecessem.
Não viveu. Viviam-no um corpo desapiedado
e uma cadela sedenta, Inteligência.
Por não acreditar senão no belo, foi
um lixo na lixeira,
mas ainda assim fitava o céu.
Está morto, por sorte. Logo surgirá
algum outro como ele.

Júlio Cortázar. Tradução de Tonico Mercador.