terça-feira, 14 de julho de 2020

O poeta propõe seu epitáfio

O poeta propõe seu epitáfio

Por haver mentido muito ganhou um céu
mesquinho, a ser refeito todos os dias.
Por ser traidor até à traição, o amavam
as pessoas honradas.
Exigia virtudes que não dava
e sorria para que esquecessem.
Não viveu. Viviam-no um corpo desapiedado
e uma cadela sedenta, Inteligência.
Por não acreditar senão no belo, foi
um lixo na lixeira,
mas ainda assim fitava o céu.
Está morto, por sorte. Logo surgirá
algum outro como ele.

Júlio Cortázar. Tradução de Tonico Mercador.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Operação Descartes - Fase 4

Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros
Inquérito Policial n. 0046/2019-11
https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/leia-o-relatorio-da-pf-sobre-desvios-milionarios-na-cemig/
https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/wp-content/uploads/sites/41/2019/04/Manifesta%C3%A7%C3%A3o-Ministerial.pdf
https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/wp-content/uploads/sites/41/2019/04/Decis%C3%A3o-Judicial-tarjada.pdf

Clécio Antônio Campodônio Eloy
Ricardo Assaf, diretor jurídico Renova
Projeto Tombador
Renato Amaral, acionista Renova
Mathias Becker, Presidente Renova
Pedro Pileggi, CFO Renova
Oswaldo Borges,
Djalma Morais

sábado, 10 de agosto de 2019

domingo, 4 de novembro de 2018

QUER REVIDAR O GOLPE E NÃO CONSEGUE

QUER REVIDAR O GOLPE E NÃO CONSEGUE


Quer revidar o golpe e não consegue
Quer ajudar mas não consegue
E a pistola não dispara
E a dinamite não explode
E o vento sopra em outra direção
E ninguém te escuta
E a morte está em toda parte
E você vai morrer de qualquer forma
E está cansado da guerra
E não consegue explicar novamente
E não consegue explicar
E está encalhado atrás de sua casa
Como um velho caminhão oxidado
Que nunca levará outra carga
E não leva tua vida
Leva a vida de outro
Alguém que nem conhece e nem gosta
E logo acaba
E é muito tarde para começar de novo
Armado com o que sabe agora
E todas suas estúpidas obras benéficas
Armaram os pobres contra você
E não é quem queria ser
Nem remotamente ele ou ela
Como vou sair disso?
A confusão desordenou o desalinho
Sem jamais estar limpo nem ser livre
Sujo pela fofoca e pela publicidade
Está cansado e acabado
E já não pode fazer nada
Por isso este silêncio
Para isso esta canção
E já não pode explicar
E não pode afundar
Porque a superfície é como o aço
E todas as suas boas emoções
Suas sutis percepções
Sua famosa compreensão
se evaporam em uma assombrosa
(Para ti) irrelevância
Não lembro quando
Escrevi isso
Foi muito antes de 11 de
Setembro