terça-feira, 16 de outubro de 2012

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A saca de sal

Texto do Contardo Calligaris

A saca de sal

Antes de viver juntos, seria bom consumir uma saca de sal. Para o quê? Para se conhecer melhor?

COMEÇOU COM um e-mail bizarro me avisando que o restauro da Fontana del Sale (a fonte do sal, em Novi Ligure, Itália) estava terminado (bizarro porque o restauro foi terminado um ano atrás). Imediatamente, a mensagem evocou em mim um momento esquecido.

Novi Ligure (leia-se "lígure") é uma cidade de menos de 30 mil habitantes; apesar de seu nome, ela não está na Liguria, mas no Piemonte. Num domingo de inverno do fim dos anos 70, eu atravessava a Piazza Mariano delle Piane, em Novi, com minha avó Elena.

Sei que era domingo porque ela tinha pedido que parássemos (íamos de Rapallo a Casale Monferrato, visitar amigos) para que ela escutasse a missa. E sei que era inverno porque ela estava com um sobretudo longo de cachemira um tanto surrada, mas especialmente mórbida, com um colarinho do mesmo astracã cinza de seu chapéu "clochê".

Também ela tinha enfiado a mão, numa luva escura, debaixo do meu braço, mais pelo calor e pela intimidade do gesto do que por necessidade de apoio ao caminhar.

Eu estava lhe contando que acabava de me juntar com uma mulher, na cidade onde eu morava, que era Paris. Ela parou diante da Fontana del Sale, que está no meio da Piazza.

"Fonte do sal" não é um apelido. No passado, o sal era crucial para preservar os alimentos (pense no bacalhau), era vendido em sacas, e era precioso. Em 1814, os noveses defenderam sua reserva de sal contra franceses e ingleses. Para celebrar o esforço, foi construída a fonte, no meio da qual surge uma figura, que aperta contra o peito uma saca, que se parece com uma daquelas almofadas que as crianças querem sempre consigo e sem as quais elas não conseguem dormir (uma foto da fonte: http://migre.me/aKii8).

Minha avó, olhando para a estátua, disse: "Prima di vivere insieme, bisogna consumare un sacco de sale" -antes de viver juntos, é preciso consumir uma saca de sal. Minha avó era religiosa, mas sábia demais para se opor ao fato de eu me juntar sem me casar. Sua preocupação era com a precipitação.

Eu, nascido em tempos de geladeira, não sabia quanto tempo duraria uma saca de sal. Mas o recado era claro: antes de se juntar, um longo namoro é oportuno.

Há uma constatação que eu faço com frequência: não sei quem começou, se fomos nós ou se foram a literatura e o cinema, mas, em geral, no início das relações, a gente idealiza tanto o parceiro quanto o novo envolvimento afetivo ou sexual (as dificuldades da etapa seguinte ficam para a comédia, se não para a farsa). Consequência: o exórdio das relações aparece como um momento glorioso, cujo espírito se perderá, inelutavelmente, ao longo do tempo, consumido pela trivialidade do dia a dia e da convivência.

Uma leitora, Ester Costa, comenta: "Eu acho que, na verdade, começa mal e vai piorando. É ruim e errado desde o começo, e a gente sabe, mas, por decreto decide que vai continuar. Ninguém esconde do outro o que é, a gente é que não quer enxergar". Ou seja, "o germe da destruição" das relações está no seu começo, "o ovo da serpente está aí".

Outra leitora, Mariana Seixas, vai na mesma direção; ela acha que, quando encontramos alguém "com quem no futuro dividiremos uma vida e quatro paredes, (...), não conhecemos bem a pessoa", e o futuro nos apresentará "uma pessoa diferente daquela dos primeiros meses de namoro".

Em outras palavras, a degradação das relações está num defeito de fábrica, numa pressa ou num descuido do encontro inicial, em que, paradoxalmente, falamos demais e não nos mostramos o suficiente.

Minhas leitoras têm razão. O momento do encontro é enganoso, por um viés de otimismo: valorizamos tanto o grande amor definitivo que acabamos enxergando sua miragem no horizonte, mesmo quando não há por quê. Você lê os três primeiros números sorteados da Mega-Sena, são os que você jogou, o coração já dispara -embora até lá você não tenha ganho absolutamente nada, nem a consolação de uma quadra.

Seria bom, em suma, segundo minhas leitoras, que os futuros consortes se conhecessem melhor.

Em tese, eu concordaria. Mas, naquele domingo dos anos 70, eu completei a frase de minha avó perguntando-lhe, justamente, se o tempo da saca de sal era para o casal se conhecer melhor. Ela fez o gesto de quem descarta uma estupidez e disse: "Ma vá un po', non per conoscersi; per abituarsi", deixa de bobagens, é preciso de tempo não para se conhecer, mas para se acostumar.

domingo, 7 de outubro de 2012

sonho

Acabava de acordar e subir as escadas da casa (adquirida pela minha irmã). Chovia muito e absurdamente o telhado recém reformado pela minha irmã estava repleto de goteiras. Meu irmão estava atônito na sala olhando as goteiras - algumas delas com panelas no chão, mas sem fazer nada.

Ao mesmo tempo, uma buzina veio do lado de fora. Minha irmã ou minha mãe (não tenho certeza) gritavam por ajuda, mas sem desespero. Quando lá ceguei, havia vários carros parados na rua e algum casal convidado do vizinho não conseguia manobrar seu carro e subir a rua, porque a mesma estava estreita por terem parados carros dos 2 lados da rua.

O casal de vizinhos, Walter e Marise, observavam a manobra dos amigos. Minha irmã estava no carro de trás querendo sair com pressa. Atrás do carro que tentava manobrar, havia um avestruz gigante, com pernas de mais de 4 metros de altura. Alguém montava o avestruz, mas não pude ver quem era e logo o mesmo conseguiu sair entre os 2 carros. Achei a situação normal (?), só lembrei em comentar ironicamente com os vizinhos que não dava p/ parar carros dos 2 lados da rua.

Voltei alguns metros e praticamente ao mesmo tempo minha mãe se queixava de seu sapato que fora presente de Natal ter descolado a sola totalmente horas antes, deixando-a em aperto na rua com chuva. Minha avó, ao lado, se sentia co-responsável, pois ela que havia presenteado-a com o sapato... Nisso minha irmã volta, reclamando indignada que o casal de vizinhos havia sido grosseiro com ela. Sai em disparada para mandar o casal "tomar no cu", mas no meio do caminho acalmei-me e pensei em só tocar a campainha e discutir a situação... acordo gritando o nome da minha irmã! 

sábado, 6 de outubro de 2012

"Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim." Caio Fernando Abreu.

domingo, 30 de setembro de 2012

Crônica Ferreira Gullar Mensalão

Crônica de hoje, 30/09/2012, sobre o Mensalão: http://db.tt/nXyYjNCY

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Quadro elétrico


Vergonha do quadro elétrico do meu apartamento =(. Pontos de atenção:
Há 2 fios brancos emendados passando por cima dos disjuntores (o quadro serve como caixa de passagem).
A "barra de neutro" é a emenda à direita.
Atrás da emenda, vê-se uma "fase morta" (isto é, um cabo de alimentação do quadro desenergizado).

Pior é inviável reformá-lo no momento econômico que me encontro.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

João Pessoa

Emendamos o Congresso Brasileiro de Automática com uma passsagem em João Pessoa para pegarmos uma praia. Dessa vez, dividi o quarto do hotel com os 3 alunos da UFMG, Tiago, Mateus e Bernardo,  gente finíssimas! A amizade é natural: eles são meus calouros na faculdade de engenharia e falamos a mesma linguagem nerd. O contato com a juventude (#TiozãoFeelings) é uma coisa exclelente, ri bastante do grupo,  Isto é uma das coisas que mais me atrai no meio acadêmico. Todos nós estávamos interessados em tomar Sol na praia, cerveja, ver mulheres e relaxar. Logo, a praia de Tambaú cumpriu seu papel.

Nós ficamos em um hotel excelente, o Tamarsol, a alguns quarteirões da praia de Tambaú, que pretendo revisar positivamente no booking.com. Bom café da manhã e boas acomodações.

O que mais me chamou a atenção nas paraíbanas é que elas são muito simpáticas com desconhecidos na balada, bem diferente do jeito das mineiras. No sábado, fui em uma boate chamada Zodíaco, todas as garotas super elegantes. Na sexta, também fui num café alternativo (leia-se indie, gls e blah blah) perto da praia de Tambaú, foi legal também. Ótimas impressões de  João Pessoa =D, quero voltar um dia!

No domingo, comemos em um restaurante Chinês. Com certeza, é o restaurante com o melhor custo/benefício que já comi na vida. Nós 4 pagamos cada R$12,10 por um frango xadrez c/ legumes, carne de vaca c/ brócolis e uma porção de arroz dupla p/ 4 pessoas. Sensacional!

Por fim, na volta no aeroporto consegui comprar a camisa da Paraíba que eu imaginava e foi extremamente elogiada já

Fotos depois rs. 

 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Meu sobrinho

"Dia xx/08/2012

Fiz mais um ultrassom ontem e o neném já tem 18mm. O coraçãozinho batia a 164 batimentos por minuto. O médico falou que está tudo bem. A mãe ainda está enjoada. O último desejo foi de comer galinhada. Ainda não consegui matá-lo.

beijos"

"Dia 08/08/2012

Hj fiz o primeiro ultrassom. O nenem já tem 3 milimetros! E tem 5,5 semanas de idade. Deu pra escutar o coração bater. 96 batimentos por minuto. Estou tendo enjôo todo dia de manhã. O sono é quase o dia inteiro. Daqui a três semanas vou fazer outro ultrassom. amo vocês

beijos

Rachel"

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Campina Grande - Paraíba

Estou em Campina Grande para participar do Congresso Brasileiro de Automática. Um dos projetos que participo tem 3 artigos aprovados aqui e acompanho os alunos da UFMG que irão apresentá-los.

A viagem foi meio maluca, porque virei a noite na gandaia c/ os amigos: era aniversário do Marconi (@mateusmr) e o Bóris (@borgesr) estava em BH; e o sistema da empresa me obrigou a comprar a passagem mais barata com o vôo às 7:29hrs e quatro! horas de escala no Galeão RJ!

Na ida, sentei ao lado de uma senhora indiana já há 35 anos no Brasil, mas que ainda fala português muito mal. Não entendia quase nada do que ela dizia, mas como estava com muito muito sono, acabava concordando para não ter que render muito assunto.

Porém depois que tirei meu primeiro cochilo e já no aeroporto do Galeão, ela até mostrou-se ser uma senhora simpática, apesar de nossas dificuldades de comunicação continuarem. Ela falou que seus 2 filhos também são engenheiros eletricistas. Um fez doutorado na Alemanha e é professor em João Pessoa, o outro fez "só" o mestrado e é, segundo ela, "presidente" da Stefanini em Belo Horizonte. Por algum motivo que não entendi, ela está se mudando para João Pessoa. Foi bom p/ passar o tempo, ela me mostrou fotos de suas viagens ao redor do mundo e eu mostrei fotos da minha família também.

O transporte de João Pessoa para Campina Grande nós fizemos numa van do evento. Digo nós, pq a essa hora, fiquei conhecendo outras pessoas que participariam do evento. São elas: um pessoal do Cefet-MG de Leopoldina, 3 caras e uma menina e um físico mestrando em engenharia e um dourando, ambos da UFRJ.

O que me chamou a atenção no caminho p/ Campina Grande foi a quantidade de geradores
eólicos que vi, utilizados pelos sítios e fazendas para bombeamento de água. Vou subir uma foto, mas enquanto ela não vem, explico que é o modelo  daqueles filmes americanos estilo "A conquista do Oeste"

Imaginava CG uma cidade um pouco diferente. A cidade está bastante suja, mas vê-se claramente progresso em altos e novos edifícios residenciais. 

 O hotel em si é uma espelunca. Resolvi ficar no mesmo hotel que o pessoal da UFMG e de quebra, economizo para a empresa. Ontem por exemplo, não tinha água quente no banheiro (água bem morninha mesmo), há uma janela basculante no box, onde se escuta barulhos do banheiro do outro quarto, vi uma baratinha ao lado da mesa de café hoje, a estante da TV é torta, bem como várias outras coisas aqui no Hotel são tortas e esquisitas (fotos depois). Mas ok. É o tipo do hotel em eu acredito que você pode encontrar o amor da sua vida. Então, por amor vale a pena.


Gostei muito das apresentações que vi ontem. Fiquei surpreso positivamente. Mas algumas decepcionaram muito. O CBA é um evento puramente acadêmico e eu que trago a visão da indústria, tenho muita coisa a criticar e contribuir. Por exemplo, um mestrando apresentou um artigo que ele dizia que o custo para abrir manualmente uma chave de distribuição era apenas U$3,00 (é mais de U$300,00, foi o que lhe falei depois pessoalmente...). Meu estado mental também está melhor, assim contribui para que tenha mais paciência com eventos, vejo claramente como amadureci nos últimos anos, fiz perguntas e sugestões em quase todas as plenárias que participei. Além de tudo, a minha interação com os alunos do UFMG tem sido importante para melhorar o direcionamento do projeto.

Tanto segunda-feira quanto domingo a cidade mostrou-se muito deserta, talvez lá para quarta-feira tenha algo mais agitado para fazer. E SIM, as paraibanas são lindas pelo que vi até agora!